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Guarujá | Por que mudar o nome da Avenida Leomil?

  • Foto do escritor: Espaço Cultural  Vereador Alberto Marques
    Espaço Cultural Vereador Alberto Marques
  • 14 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de out. de 2020


POLÍTICA É CULTURA | GUARUJÁ

Você já se perguntou quem são (ou foram) as pessoas que nomeiam as ruas?


Andar pelas cidades é algo cotidiano, porém, quase sempre as pessoas ignoram as histórias de nomes de ruas. Entretanto, as denominações refletem e expressam situações de determinadas circunstâncias e momentos.


No Guarujá, como na maioria das cidades, as ruas também têm nome de políticos, empresários, generais e muitos outros, porém, nem sempre se conhece sobre o que fizeram para merecer tal honraria.


No início de junho, quando as manifestações contra o racismo explodiram no mundo todo por conta da morte de George Floyd, uma rua em Washington D.C., nos EUA, teve seu nome mudado para ‘Black Lives Matter’ (Vidas Negras Importam). Isso reacendeu uma discussão sobre uma avenida muito conhecida em Guarujá, a Leomil.


O tema ganhou repercussão nas redes sociais após o analista de marketing Rafael Cicconi sugerir a mudança e relembrar o passado de Valêncio Augusto Teixeira Leomil.


A Avenida Leomil, no centro da cidade, tem justamente o nome de um traficante de escravos. Ele era possuidor de uma extensa área localizada entre a praia do Perequê e o Canal de Bertioga, da qual se apropriou. O português foi denunciado e julgado por tráfico de escravos e homicídio em 1850.


Em nota, a Prefeitura de Guarujá ressaltou que a troca do nome da Avenida Leomil tem sido reivindicada há algum tempo por moradores da cidade, inclusive por alunos da E.M. Myrian Terezinha Milbourn, que ao realizarem um trabalho escolar, descobriram que o homenageado foi um traficante de escravos.


Por que é importante mudar?


O Brasil foi o país que mais importou escravos, um total de 20% de todas as pessoas raptadas da África para serem vendidas, dando um número estimado de cinco milhões de pessoas. Eles eram essenciais para o desenvolvimento da economia – as plantações de açúcar, as fazendas de café, as minas de ouro.


Em 1888, quando a abolição finalmente tornou-se uma realidade, havia mais negros do que brancos no Brasil, porém, o legado racista e segregacionista do país, de fato, nunca mudou.


Portanto, a manutenção de poder de determinado grupo também está relacionado com a denominação dos logradouros públicos (nomes dos espaços como ruas, praças, largos), sendo assim, grupos nacionalmente silenciados na história nacional, são também esquecidos no que diz respeito a essa forma de homenagem e perpetuação histórica, fato esse que evidência determinadas práticas de exclusão.


A luta contra o racismo ganha força quando um país, estado ou cidade, para de prestar homenagens a quem agiu em nome da violência e perpetuação da diferença que tornou possível que famílias negras sofressem tanto ao longo do tempo.

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